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Crise extracampo se intensifica, e Eagle contesta dívida milionária envolvendo a SAF do Botafogo

  • Foto do escritor: redacaoinformebota
    redacaoinformebota
  • 31 de mar.
  • 4 min de leitura
John Textor, acionista majoritário da SAF Botafogo
Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

Enquanto luta para reagir dentro de campo e sair da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, o Botafogo também enfrenta um cenário turbulento fora das quatro linhas. A mais recente polêmica envolve a Eagle Football Holdings, que passou a ser administrada pela consultoria inglesa Cork Gully e agora se posiciona judicialmente contra a SAF alvinegra, comandada por John Textor.


O embate gira em torno de uma ação iniciada pela SAF do Botafogo em agosto do ano passado, cobrando da Eagle uma dívida superior a R$ 139 milhões. A holding, que também possui participação em clubes como Lyon (França) e RWDM Brussels (Bélgica), questiona a validade dessa cobrança.


Segundo a Eagle, a execução não deveria prosperar por ter sido assinada integralmente por John Textor, que, à época, representava diferentes partes envolvidas na operação. Além disso, a empresa contesta o valor apresentado, alegando que o montante correto seria menor — cerca de R$ 127 milhões — apontando uma diferença superior a R$ 12 milhões, classificada como “erro crasso” no processo.


No documento obtido pela ESPN, a holding faz duras críticas à condução do empresário norte-americano, chegando a afirmar que ele assumiu o controle da SAF do Botafogo na “mão grande” e classificando o cenário atual como “estarrecedor”.


A Eagle também sustenta que as dívidas foram estruturadas pelo próprio Textor, em operações descritas como irregulares e internas, no formato conhecido como “Zé com Zé”, em que o próprio gestor teria emprestado recursos a si mesmo dentro do grupo.


"Por meio dos presentes embargos, a embargante, acionista controladora da SAF Botafogo, demonstrará que a execução em curso - estranhamente movida pela companhia contra sua própria controladora, para instrumentalizar, em claro desvio de finalidade, uma disputa societária havida entre elas - já nasce inquinada por uma profusão de vícios patentes e irremediáveis", escreveram os advogados da Eagle.


"A pretensão executiva movida pela SAF Botafogo é um retrato ostensivo e inaceitável do exato tipo de abuso que o direito brasileiro se propõe a repelir: a cobrança de título burlesco, engendrado no contexto de uma série de transações ardilosas, do tipo 'Zé com Zé', orquestradas por um único gestor antes de seu afastamento da Eagle Bidco, o Sr. John Charles Textor, que sempre ocupou todas as várias pontas da operação objeto desta lide e, agora, sem qualquer constrangimento, instrumentaliza a SAF Botafogo como ferramenta pessoal de pressão e coação em tentativa vexatória e lamentável de asfixiar a Embargante, verdadeira acionista controladora da companhia", seguiram.


"Não há dúvidas, neste caso, de que o Sr. Textor - que continua a usar e abusar do cargo de administrador da SAF Botafogo - jamais poderia ter interferido diretamente na negociação, celebração e consumação de empréstimos distantes das condições de mercado com outras entidades do grupo Eagle, agindo e operando a estrutura como se fosse um cofre pessoal a ser utilizado por ele na eventualidade de qualquer problema que pudesse surgir no futuro - como, no caso concreto, a disputa societária entre embargante e embargada, respectivamente, controladora e controlada", argumentaram.


"Todos os instrumentos que sustentam a pretensão executiva foram celebrados sob a condução direta do Sr. Textor que, à época dos fatos, detinha poder de decisão e influência determinante sobre as entidades envolvidas em cada uma das etapas e frentes da operação. Isso significa que, ao longo de toda a cadeia negocial, a mesma pessoa atuou, direta ou indiretamente, em ambos os polos das relações jurídicas, ora como representante da parte credora, ora como agente vinculado à parte devedora, ora como estruturador dos negócios que culminaram na imputação da incerta dívida à embargante", complementaram.


Outro ponto levantado pela Eagle diz respeito ao risco financeiro envolvido na continuidade da execução. De acordo com os representantes da holding, a medida pode afetar ativos relevantes do grupo, incluindo o próprio Botafogo, gerando consequências graves.


"O perigo de dano é igualmente manifesto. Caso não seja atribuído efeito suspensivo aos presentes embargos, a execução poderá prosseguir com a prática de atos constritivos relevantes, inclusive sobre ativos estratégicos da embargante, com potencial impacto direto sobre sua estrutura societária", salientaram.


"Em outras palavras, o prosseguimento da execução poderá acarretar danos de dificílima - quando não impossível - reparação, circunstância que recomenda, com ainda mais razão, a suspensão imediata do processo executivo", concluíram.


Procurado, John Textor não respondeu até a publicação da reportagem.


Por outro lado, na manifestação inicial da SAF do Botafogo no processo, o empresário defendeu o modelo adotado na gestão financeira do grupo, rebatendo as acusações de irregularidade.


"Primeiro, sempre foi do conhecimento de todos, seja no âmbito interno da Eagle Bidco, seja, ainda, no âmbito externo (mídia, mercado, torcedores etc), o sistema de caixa-único (ou cash pooling agreements) mantido entre os clubes integrantes da denominada Eagle. Não havia nada escondido, nada na surdina ou escamoteado", escreveu a SAF.


"Esse formato, naturalmente, visava a beneficiar todos os clubes integrantes do grupo Eagle. Era um modelo colaborativo e integrado, assim como se dava em relação às transferências (de forma definitiva ou via empréstimo) de jogadores. Era uma via de mão dupla, justamente em decorrência da constante transferência (sem custos) de jogadores entre os clubes", acrescentou.

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