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Botafogo tenta assumir maioria da SAF e faz movimento para destravar chegada de novo investidor

  • Foto do escritor: redacaoinformebota
    redacaoinformebota
  • 13 de jul.
  • 3 min de leitura
João Paulo Magalhães Lins, presidente do Botafogo
Foto: Matheus Dantas/Itatiaia

Clube associativo acusa Eagle de descumprir acordo de investimentos, reivindica 51% das ações da SAF e comunica decisão aos responsáveis pela liquidação da empresa de John Textor




O futuro da SAF do Botafogo ganhou mais um capítulo importante. Em meio às negociações envolvendo a venda das ações da Eagle Football e à busca por um novo investidor, o clube associativo decidiu adotar uma medida prevista no acordo firmado em 2022 para assumir o controle acionário da SAF.


A diretoria alvinegra notificou oficialmente a Cork Gully, empresa responsável pelo processo de liquidação da Eagle Bidco, na Inglaterra, alegando que houve descumprimento de obrigações financeiras previstas no contrato de investimentos firmado durante a aquisição da SAF por John Textor. A informação é do jornalista Igor Siqueira, do Portal UOL.


Na avaliação do Botafogo, a Eagle deixou de cumprir corretamente um dos aportes de capital previstos no acordo de acionistas. Com base nisso, o clube acionou uma cláusula contratual conhecida como bônus de subscrição, mecanismo que, segundo a interpretação do associativo, altera a composição acionária da SAF.


Caso esse entendimento seja reconhecido, o Botafogo passaria de 10% para 51% das ações da empresa, enquanto a participação da Eagle seria reduzida para 49%.


Clube questiona aporte de R$ 100 milhões


O ponto central da disputa envolve a terceira parcela do investimento que deveria ter sido realizada pela Eagle.


De acordo com documentos apresentados pelo clube, o valor de aproximadamente R$ 100 milhões nunca permaneceu efetivamente nos cofres da SAF para fortalecer o caixa e financiar suas operações.


Na notificação enviada à Cork Gully, o Botafogo afirma que as operações financeiras realizadas à época foram estruturadas de forma que os recursos apenas transitassem pela SAF antes de retornarem ao exterior.


Segundo o documento, "jamais houve cumprimento da obrigação de aporte", sustentando que a empresa utilizou uma sequência de operações que impediram que os recursos permanecessem disponíveis para investimentos no clube.


Como ocorreram as movimentações


A documentação aponta que, em março de 2024, o Lyon realizou uma transferência de 10,9 milhões de euros — cerca de R$ 58,8 milhões na cotação da época — para a SAF Botafogo como integralização de capital.


Entretanto, ainda no mesmo dia, aproximadamente 10 milhões de euros teriam retornado ao clube francês na forma de empréstimo concedido pela própria SAF.


No mês seguinte, outras duas transferências foram realizadas pelo Lyon para o Botafogo: uma de R$ 55 milhões, em 5 de abril, e outra de R$ 677 mil, em 17 de abril. Na visão do associativo, esses valores completariam o aporte previsto contratualmente.


Porém, novamente, parte dos recursos teria sido enviada de volta ao Lyon poucos dias depois, também por meio de contratos de empréstimo firmados entre as empresas do grupo.


O Botafogo sustenta que esses valores nunca retornaram definitivamente à SAF, razão pela qual entende que a obrigação de investimento não foi cumprida.


Clube vê direito de assumir controle da SAF


Com base nessa interpretação, o Botafogo considera legítimo o acionamento do bônus de subscrição previsto no contrato de investimentos.


Na prática, o clube entende que passou a deter a maioria das ações da SAF e que essa mudança abre caminho para uma nova configuração societária.


A medida também tem impacto direto nas negociações envolvendo a GDA, empresa liderada por Gabriel de Alba, que vinha tratando da compra da participação da Eagle.


Segundo o entendimento do Botafogo, após o acionamento da cláusula contratual, o clube teria o direito de negociar 41% das ações com a GDA por um valor previamente estabelecido. A Eagle, por sua vez, ficaria obrigada a vender seus 49% restantes nas mesmas condições.


Caso esse cenário se concretize, o associativo retornaria aos 10% de participação originalmente previstos, enquanto a GDA assumiria o controle da SAF com 90% das ações, encerrando o ciclo da Eagle Football no comando do futebol alvinegro.

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