Botafogo aciona Lyon na Justiça por dívida milionária e endurece postura para proteger projeto esportivo
- redacaoinformebota
- 4 de abr.
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Clube cobra mais de R$ 745 milhões em valores emprestados e vê inadimplência impactar diretamente o planejamento financeiro e esportivo
O Botafogo deu um passo decisivo nos bastidores e protocolou, na última sexta-feira (3), ações judiciais contra o Olympique Lyonnais para cobrar uma dívida que ultrapassa os R$ 745 milhões. O movimento marca uma mudança de postura do clube carioca, que agora adota medidas mais firmes para assegurar o retorno dos valores e preservar a saúde financeira do projeto alvinegro.
A disputa envolve o modelo de gestão adotado desde 2022, quando o Botafogo passou a integrar o grupo multiclubes Eagle Football Holdings, liderado pelo empresário John Textor. A proposta, baseada na colaboração financeira e no intercâmbio de atletas entre as equipes do conglomerado, foi apontada como um dos pilares para conquistas recentes, como a Libertadores e o Campeonato Brasileiro de 2024.
Dentro desse contexto, o Botafogo realizou sucessivos aportes financeiros ao clube francês, que, à época, enfrentava uma grave crise econômica. O Olympique Lyonnais havia sido adquirido pelo grupo em situação de insolvência, pressionado por credores e sob risco de sanções esportivas impostas pela DNCG, órgão que regula as finanças do futebol na França.
Com o objetivo de reequilibrar o Lyon, o clube brasileiro emprestou mais de R$ 745 milhões, com պայմանamento previamente acordado entre as partes. No entanto, o cenário mudou após conflitos internos entre sócios da Eagle. A nova gestão do Lyon rompeu unilateralmente o modelo de colaboração, deixando de cumprir compromissos assumidos.
Além da dívida com o Botafogo, o clube francês também deixou de pagar cerca de € 12 milhões ao RWDM Brussels, outro integrante do grupo. A inadimplência gerou efeito cascata, atingindo diretamente o planejamento do Glorioso.
Nos bastidores, o impacto foi imediato: restrições orçamentárias, dificuldades na renovação de contratos e limitações no mercado de transferências. A situação chegou ao ápice no fim de 2025, quando o Botafogo sofreu um transfer ban imposto pela FIFA, reflexo direto do desequilíbrio financeiro causado pela falta de recebimento dos valores.
Diante desse cenário, a diretoria alvinegra decidiu agir de forma definitiva. A SAF do clube afirma que a medida judicial é irreversível e que todas as ações cabíveis serão adotadas para recuperar integralmente os recursos.
A iniciativa não apenas busca reaver valores expressivos, mas também proteger a continuidade do projeto esportivo que recolocou o Botafogo em posição de protagonismo no cenário sul-americano. Internamente, o entendimento é claro: garantir segurança jurídica e financeira é essencial para sustentar o crescimento recente e evitar novos abalos estruturais.
Agora, o caso segue para análise da Justiça, enquanto o clube aguarda os desdobramentos de uma disputa que promete repercussão internacional e pode redefinir as relações dentro do próprio grupo Eagle.
Confira a íntegra da nota emitida pelo Botafogo:
"O Botafogo protocolou, na última sexta-feira (3), ações contra o Olympique Lyonnais na Justiça, em razão de dívidas que ultrapassam R$ 745 milhões. O objetivo é assegurar o retorno dos valores devidos, fundamentais para o fortalecimento do projeto esportivo Alvinegro, e resguardar o patrimônio do Clube.
Como é de conhecimento público desde a incorporação da SAF, em 2022, o Botafogo passou a integrar o Grupo Eagle, rede multiclubes liderada por John Textor. Como estratégia competitiva foi adotado por todos os clubes do grupo um modelo colaborativo de gestão financeira e de atletas. Esse modelo contribuiu para conquistas históricas do Botafogo, como a CONMEBOL Libertadores e o Campeonato Brasileiro de 2024. Para o Olympique Lyonnais, essa colaboração também teve um impacto histórico no primeiro ano sob o comando de John Textor, tirando o clube da zona de rebaixamento e queda iminente, e o classificando para a Liga Europa em apenas uma janela de transferência.
Eagle Football adquiriu o Olympique Lyonnais em situação de insolvência no final de 2022, com todos os bancos exigindo pagamento da dívida, e sob a ameaça de sanções pesadas do DNCG no primeiro dia de controle da Eagle.
Por esse contexto, o Botafogo realizou aportes financeiros sucessivos, totalizando mais de R$ 745 milhões, a título de empréstimos, com a clara expectativa de reembolso em condições previamente estabelecidas.
Posteriormente, em meio a conflitos internos entre sócios do Grupo Eagle, a nova presidente do Olympique Lyonnais rompeu unilateralmente o acordo de colaboração. Apesar de ter se beneficiado dos recursos recebidos, o clube francês deixou de cumprir as obrigações assumidas, recusando-se a efetuar o pagamento da dívida aos clubes do Grupo Eagle de R$745 milhões ao Botafogo, e outros €12 milhões ao RWDM Brussels. A inadimplência gerou impactos diretos na operação do Botafogo, comprometendo o planejamento financeiro e afetando a capacidade de renovação e contratação de atletas. Como consequência, o Clube foi, inclusive, alvo da aplicação de um Transferban pela FIFA no final de 2025.
A partir de agora, o Botafogo realiza esse movimento de forma irreversível: A SAF adotará todas as medidas legais cabíveis para recuperar integralmente os valores devidos pelo Olympique Lyonnais e assegurar a continuidade e a solidez de seu projeto esportivo."
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